Do traço ao sabor: como eu desenho as experiências gastronômicas da Expedição (From Sketch to Flavor: How I Design the Gastronomic Experiences of the Expedition)
Muito além da degustação: como eu desenho experiências gastronômicas únicas
O processo criativo por trás da Expedição Cacau e Chocolate do Brasil na Aristeu Pires
Por Juliana Recuero Ustra
Quando uma pessoa chega a uma experiência gastronômica já pronta, ela normalmente enxerga o resultado. Vê a mesa, os objetos, os alimentos, os copos, os materiais escolhidos e, principalmente, aquilo que foi preparado para que ela viva momentos especiais e memoráveis.
O que ela não vê são as muitas horas de conversa, pesquisa, observação, escolhas que aconteceram antes da própria experiência, e é justamente essa parte do trabalho que mais me interessa. Logo, resolvi compartilhar por aqui um pouco sobre o meu processo criativo para uma experiência exclusiva para a marca Aristeu Pires, um renomado designer de móveis de luxo.
Criar uma experiência gastronômica, para mim, nunca foi simplesmente escolher o que será degustado. É um processo de pesquisa, observação e de construção de uma narrativa na qual gastronomia, espaço, objetos, pessoas, marca e público precisam encontrar um ponto de conexão.
Foi assim que nasceu o projeto da Expedição Cacau e Chocolate do Brasil para a Aristeu Pires, uma experiência que uniu dois universos que, à primeira vista, poderiam parecer bastante diferentes: o chocolate brasileiro e o design de móveis.
Foram aproximadamente três meses entre a consulta de Dominique Vighi, a arquiteta responsável pela ação, passando pela idealização, a pesquisa, a curadoria, o desenho da experiência e os alinhamentos necessários até chegar à montagem que aparece nas fotografias.
E, olhando agora para aquela mesa, percebo que o mais interessante não está apenas no que foi colocado sobre ela, mas nas relações que conseguimos construir entre todos aqueles elementos. Todos detalhes me interessaram, e fiquei encantada com o que aprendi sobre a marca para poder desenhar esta experiência.
Tudo começa muito antes da escolha dos chocolates
Antes de pensar em qualquer degustação, eu preciso conhecer a marca que me contratou para a experiência que desenhei para um evento corporativo bem especial para esta marca de móveis de luxo do designer Aristeu Pires, em Canela, RS.
O meu primeiro passo foi entender sua história, seu momento, seus valores, sua personalidade e, principalmente, aquilo que faz com que ela seja reconhecida como única. Também preciso compreender o que o cliente espera daquela experiência e qual é o papel que ela terá dentro de uma estratégia maior.
Isso é especialmente importante quando estamos trabalhando com marcas que possuem uma identidade muito forte.
No caso da Aristeu Pires, havia um universo muito rico para ser explorado. A empresa trabalha com móveis e possui uma relação muito particular com a madeira, com as formas, com as curvas, com a matéria e com o trabalho cuidadoso de transformação dessa matéria em objetos que passam a fazer parte da vida das pessoas.
Ao mesmo tempo, eu chegava com a Expedição Cacau e Chocolate do Brasil, que carrega outra narrativa, relacionada ao cacau brasileiro, aos territórios onde ele é produzido, à biodiversidade, aos produtores, às diferentes formas de fazer chocolate e à diversidade que existe dentro do nosso próprio país.
O desafio criativo estava justamente em encontrar aquilo que essas duas histórias tinham em comum.
E conforme eu caminhava em minha pesquisa, vi que havia muito mais em comum do que poderia parecer inicialmente: origem, excelência, territórios, pessoas e muita brasilidade.
A alma da marca precisa estar dentro da experiência
Uma das coisas que mais procuro evitar em um projeto é criar uma experiência que poderia estar em qualquer lugar.
Quando uma empresa me contrata para criar uma experiência para seus convidados, eu não quero simplesmente levar uma proposta pronta e colocá-la dentro daquele espaço. Quero compreender o lugar, observar a marca e descobrir como a experiência pode nascer daquele encontro. Por isso, durante o processo de criação para a Aristeu Pires, comecei a olhar para aquilo que já estava presente no ambiente da fábrica. Por mais que parecesse disruptivo fazer uma experiência gastronômica em uma área de produção de móveis, ali fez total sentido para nós.
As madeiras, as curvas, as cores, as texturas e as formas dos móveis passaram a fazer parte do meu repertório de criação. Em vez de pensar esses elementos como cenário, comecei a enxergá-los como parte da narrativa e alicerce para a experiência.
A madeira poderia conversar com o cacau.
As formas orgânicas dos frutos poderiam estabelecer um diálogo com as curvas das peças.
Os chocolates poderiam ocupar os suportes de madeira de uma maneira que valorizasse tanto o produto quanto o próprio design.
E foi nesse momento que o projeto começou, de fato, a ganhar uma identidade única.
O espaço não é apenas o lugar onde a experiência acontece
Eu gosto muito de trabalhar com o espaço disponível porque acredito que ele sempre oferece alguma possibilidade que ainda não foi percebida.
Um ambiente pode ser pequeno, grande, sofisticado, industrial, histórico ou completamente neutro. Em todos os casos, existem elementos que podem ser incorporados à experiência.
Fui atenta ao observar a dinâmica e potencialidade dos espaços disponíveis pra experiência, e foi o que fizemos neste projeto.
Em vez de tentar esconder que estávamos dentro de uma fábrica de móveis, escolhemos justamente valorizar essa característica. O espaço passou a ser parte da experiência e criou uma conexão muito mais interessante entre o design brasileiro e o chocolate brasileiro.
Na minha opinião, essa é uma diferença essencial entre simplesmente organizar uma degustação e desenhar uma experiência gastronômica.
Na degustação, podemos pensar principalmente nos produtos que serão apresentados e na sequência em que serão degustados.
Na experiência, precisamos pensar também no que acontece ao redor deles.
Como o convidado chega?
O que ele vê primeiro?
O que desperta sua curiosidade?
Como ele percorre aquele espaço?
O que ele toca?
O que ele sente?
O que ele descobre?
Que história será contada?
E o que fará com que ele se lembre daquela experiência depois que ela terminar?
Chocolate é uma matéria-prima criativa extraordinária
Talvez uma das razões pelas quais eu continue tão fascinada pelo chocolate seja justamente sua capacidade de conversar com tantos universos.
O chocolate pode estar associado à gastronomia, evidentemente, mas também pode dialogar com café, vinho, chá, destilados, arte, design, arquitetura, turismo, hospitalidade, cultura e bem-estar.
Ele pode ser sofisticado sem perder seu caráter afetivo e pode estar presente em uma experiência de luxo sem deixar de ser democrático. E essa característica me interessa muito, porque, quando trabalhamos com chocolate brasileiro, estamos falando também de território, de biodiversidade, de agricultura, de pessoas e de uma diversidade cultural enorme.
Uma barra pode carregar uma história muito maior do que aquilo que aparece na embalagem.
Por isso, a curadoria dos chocolates para a experiência da Aristeu Pires não poderia ser feita apenas pensando em quais produtos seriam degustados, foi necessário pensar em como eles participariam da narrativa.
A aparência de cada chocolate, suas cores, formatos, texturas, ingredientes e histórias precisavam fazer sentido dentro daquele conjunto. E usando somente marcas apoiadoras da minha Expedição Cacau e Chocolate do Brasil, selecionei chocolates que tivessem diálogo com os móveis da Aristeu Pires.
A curadoria gastronômica, nesse caso, encontrou o design.
E então a mesa começa a se transformar
Existe uma etapa do processo criativo de que gosto particularmente, que é quando deixamos de trabalhar apenas com ideias e começamos a testar fisicamente aquilo que imaginamos.
É quando os objetos passam a ocupar o espaço e começamos a perceber relações que não estavam necessariamente evidentes no papel.
Um suporte de madeira pode funcionar melhor em determinado ângulo. Um chocolate pode ganhar outra presença quando colocado próximo a determinado material. Uma cor que parecia interessante isoladamente pode não funcionar quando inserida no conjunto.
É um processo muito parecido com o trabalho de uma instalação artística. Não no sentido de transformar uma mesa em uma obra de arte, mas porque existe uma preocupação com composição, equilíbrio, ritmo, materialidade, espaço e narrativa.
Nada precisa estar ali simplesmente porque é bonito. Cada escolha precisa responder à pergunta: por que isso está aqui?
E, ao mesmo tempo, existe uma liberdade criativa que é fundamental. Nem tudo pode ser previsto. Algumas soluções aparecem somente quando começamos a experimentar.
É aí que a criação fica realmente interessante.
Quem é o protagonista da experiência?
Essa é uma pergunta que considero fundamental em qualquer projeto.
Às vezes, o protagonista será um produto. Em outras situações, será a marca, o território, uma história ou mesmo o próprio convidado.
Nem sempre é necessário colocar tudo em primeiro plano. Aliás, uma experiência sofisticada muitas vezes nasce justamente da capacidade de escolher o que merece destaque e o que deve permanecer como apoio.
No projeto da Aristeu Pires, o desafio era permitir que o chocolate brasileiro ocupasse aquele espaço para potencializar a identidade da empresa e, ao mesmo tempo, fazer com que o universo do design ajudasse a contar a história do chocolate.
Era uma conversa entre dois protagonistas, e essa conversa precisava parecer natural.
Existe também uma dimensão humana que nenhum projeto consegue substituir
Por mais que eu goste de pensar em conceito, composição, materiais e narrativa, experiências são feitas por pessoas. Por isso, a equipe que estará envolvida na construção e na realização também faz parte do meu processo criativo.
Quem conhece o espaço? Quem conhece a marca? Quem receberá os convidados? Quem estará envolvido na montagem? Quais são os recursos disponíveis? O que pode ser feito naquele ambiente e quais são as limitações que precisamos respeitar?
Essas respostas também influenciam o projeto.
Criatividade não significa trabalhar como se não existissem restrições. Muitas vezes, é justamente a partir delas que encontramos as soluções mais interessantes.
E há algo que considero ainda mais importante: a experiência precisa ser confortável e verdadeira para quem a realiza. Não adianta criar uma cena maravilhosa se ela não funciona para as pessoas que estarão participando do evento.
Três meses de trabalho para algumas horas de experiência
Talvez essa seja uma das partes mais difíceis de explicar quando falamos sobre criação de experiências.
O convidado pode permanecer algumas horas naquele ambiente, mas existe uma quantidade muito maior de trabalho por trás daqueles momentos. Neste projeto, foram cerca de três meses de conversas, pesquisa, curadoria, desenvolvimento do conceito, escolhas, ajustes e construção.
Não porque fosse necessário criar algo excessivamente complexo, mas porque eu acredito que a sofisticação está justamente na coerência entre as escolhas.
Uma experiência não precisa ter muitos elementos para ser memorável. Ela precisa fazer sentido.
Quando o espaço, a marca, os produtos, os materiais, a narrativa e as pessoas conseguem conversar entre si, o resultado deixa de parecer uma montagem e começa a parecer uma experiência que sempre deveria ter acontecido daquela maneira.
No final, o que fica é a memória
É isso que procuro construir quando desenvolvo uma experiência gastronômica. Não quero que o convidado se lembre apenas de quais chocolates provou.
Quero que ele se lembre de como foi estar naquele lugar, de uma descoberta que fez, de uma conversa que teve, de uma textura que percebeu, de uma história que ouviu ou daquela sensação de ter participado de alguma coisa que não acontece todos os dias.
É aí que, para mim, gastronomia encontra experiência.
E é também onde a minha trajetória com o chocolate encontra outras áreas pelas quais tenho enorme interesse: design, cultura, turismo, hospitalidade, brasilidade e construção de experiências.
A Expedição Cacau e Chocolate do Brasil nasceu da minha vontade de mostrar a diversidade e a riqueza do chocolate brasileiro, mas ao longo do caminho fui percebendo que ela poderia ocupar muitos outros espaços.
Ela pode estar em uma mesa de degustação, em um hotel, em uma experiência turística, em uma empresa, em um evento corporativo, em uma conversa sobre design ou em uma experiência privada para um pequeno grupo de convidados.
O que muda é a história que precisamos contar e a maneira como escolhemos contá-la. É por isso que cada novo projeto começa novamente do zero.
Eu preciso conhecer aquela marca, aquele espaço, aquele público e aquele momento para descobrir qual experiência pode nascer daquele encontro.
E talvez seja justamente essa a parte mais interessante do meu trabalho: transformar conhecimento e curadoria em algo que as pessoas possam experimentar, sentir e lembrar.
A experiência da Aristeu Pires foi mais uma dessas descobertas.
E, felizmente, ainda existem muitos encontros possíveis entre o chocolate brasileiro e outros universos.
Agora, estou pronta para a próxima missão.
publicado por Juliana R Ustra
em 01/09/2026
Sobre Juliana Recuero Ustra
Juliana Recuero Ustra é especialista em chocolate brasileiro, cacau e experiências gastronômicas, com trajetória dedicada à pesquisa, curadoria e valorização dos alimentos de origem. É criadora da Expedição Cacau e Chocolate do Brasil e do projeto Chocolate no Brasil, desenvolvendo conteúdos, pesquisas, experiências sensoriais, eventos e projetos personalizados para marcas, empresas e públicos interessados em gastronomia, cultura, design e brasilidade.
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Much More Than a Tasting: How I Design Unique Gastronomic Experiences
The creative process behind the Cacao and Chocolate Expedition of Brazil at Aristeu Pires
By Juliana Recuero Ustra
When someone arrives at a gastronomic experience that is already fully prepared, they usually see the result. They see the table, the objects, the food, the glasses, the materials that were chosen and, most importantly, what has been prepared for them to enjoy a special and memorable moment.
What they do not see are the many hours of conversations, research, observation and choices that took place before the experience itself. And that is precisely the part of my work that interests me the most. So I decided to share here a little about my creative process in developing an exclusive experience for Aristeu Pires, a renowned luxury furniture designer.
For me, creating a gastronomic experience has never been simply about deciding what will be tasted. It is a process of research, observation and narrative building, in which gastronomy, space, objects, people, brand and audience need to find a point of connection.
That is how the Cacao and Chocolate Expedition of Brazil for Aristeu Pires came to life: an experience that brought together two worlds that, at first glance, might seem quite different—the world of Brazilian chocolate and the world of furniture design.
It took approximately three months, beginning with an inquiry from Dominique Vighi, the architect responsible for the event, and continuing through conceptualization, research, curation, experience design and all the necessary alignments until we arrived at the setup shown in these photographs.
Looking back at that table, I realize that what is most interesting is not only what was placed on it, but the relationships we were able to create among all those elements. Every detail interested me, and I was fascinated by what I learned about the brand in order to design this experience.
Everything begins long before choosing the chocolates
Before thinking about any tasting, I need to get to know the brand that has hired me to create the experience. In this case, it was for a very special corporate event for the luxury furniture brand of designer Aristeu Pires, in Canela, Rio Grande do Sul, Brazil.
My first step was to understand its history, its current moment, its values, its personality and, above all, what makes it unique and recognizable. I also need to understand what the client expects from the experience and what role it will play within a broader strategy.
This is especially important when working with brands that have such a strong identity.
In the case of Aristeu Pires, there was a very rich universe to explore. The company works with furniture and has a very particular relationship with wood, shapes, curves, materials and the careful transformation of raw materials into objects that become part of people's lives.
At the same time, I was bringing the narrative of the Cacao and Chocolate Expedition of Brazil, which is connected to Brazilian cacao, the territories where it is grown, biodiversity, producers, the different ways chocolate is made and the extraordinary diversity found within our own country.
The creative challenge was precisely to discover what these two stories had in common.
And as I continued my research, I realized there was much more in common than I had initially imagined: origin, excellence, territories, people and a strong sense of Brazilian identity.
The soul of the brand needs to be part of the experience
One of the things I try hardest to avoid in a project is creating an experience that could take place anywhere.
When a company hires me to create an experience for its guests, I do not want to simply bring a ready-made concept and place it inside that space. I want to understand the place, observe the brand and discover how the experience can emerge from that encounter.
That is why, during the creative process for Aristeu Pires, I began looking closely at what was already present in the factory. As disruptive as it might have seemed to create a gastronomic experience inside a furniture production area, it made perfect sense to us.
The wood, curves, colors, textures and shapes of the furniture became part of my creative repertoire. Rather than treating these elements as scenery, I began to see them as part of the narrative and as the foundation of the experience.
The wood could engage in a dialogue with cacao.
The organic shapes of the cacao pods could establish a connection with the curves of the furniture.
The chocolates could be displayed on wooden supports in a way that enhanced both the products and the design itself.
And that was when the project truly began to develop its own unique identity.
Space is not simply where the experience takes place
I particularly enjoy working with the space available because I believe that every space offers possibilities that have not yet been perceived.
An environment can be small, large, sophisticated, industrial, historic or completely neutral. In every case, there are elements that can become part of the experience.
I paid close attention to the dynamics and potential of the spaces available for the experience, and that is exactly what we did with this project.
Rather than trying to hide the fact that we were inside a furniture factory, we chose to embrace it. The space became part of the experience and created a much more interesting connection between Brazilian design and Brazilian chocolate.
In my opinion, this is an essential difference between simply organizing a tasting and actually designing a gastronomic experience.
In a tasting, we may focus primarily on the products being presented and the sequence in which they will be tasted.
In an experience, we also need to think about everything that happens around them.
How does the guest arrive?
What do they see first?
What sparks their curiosity?
How do they move through the space?
What do they touch?
What do they feel?
What do they discover?
What story will be told?
And what will make them remember that experience after it is over?
Here in the image: one of the sketches for the event.
Chocolate is an extraordinary creative material
Perhaps one of the reasons I remain so fascinated by chocolate is precisely its ability to engage with so many different worlds.
Chocolate can obviously be associated with gastronomy, but it can also create connections with coffee, wine, tea, spirits, art, design, architecture, tourism, hospitality, culture and wellness.
It can be sophisticated without losing its emotional character, and it can be part of a luxury experience while remaining democratic. This characteristic interests me deeply because, when we work with Brazilian chocolate, we are also talking about territory, biodiversity, agriculture, people and an enormous cultural diversity.
A chocolate bar can carry a story that is much greater than what appears on its packaging.
That is why the curation of the chocolates for the Aristeu Pires experience could not be based solely on which products would be tasted. I also needed to consider how they would participate in the narrative.
The appearance of each chocolate, its colors, shapes, textures, ingredients and stories needed to make sense within the whole. Using only brands that support my Cacao and Chocolate Expedition of Brazil, I selected chocolates that could establish a dialogue with Aristeu Pires' furniture.
In this case, gastronomic curation met design.
Here is our table, ready for the experience.
And then the table begins to transform
There is one stage of the creative process that I particularly enjoy: the moment when we stop working only with ideas and begin physically testing what we have imagined.
This is when the objects begin to occupy the space and we start to perceive relationships that were not necessarily obvious on paper.
A wooden support may work better at a certain angle. A chocolate may have a different presence when placed next to a particular material. A color that seemed interesting on its own may not work when introduced into the composition as a whole.
It is a process very similar to creating an artistic installation. Not in the sense of turning a table into a work of art, but because it involves careful consideration of composition, balance, rhythm, materiality, space and narrative.
Nothing needs to be there simply because it is beautiful. Every choice needs to answer the question: why is this here?
At the same time, creative freedom is essential. Not everything can be predicted. Some solutions only emerge when we begin to experiment.
That is when the creative process becomes truly interesting.
Who is the protagonist of the experience?
This is a question I consider fundamental to any project.
Sometimes the protagonist is a product. In other situations, it may be the brand, the territory, a story or even the guest themselves.
It is not always necessary to put everything in the foreground. In fact, a sophisticated experience often emerges precisely from the ability to decide what deserves prominence and what should remain in a supporting role.
In the Aristeu Pires project, the challenge was to allow Brazilian chocolate to occupy the space in a way that enhanced the company's identity while, at the same time, allowing the world of design to help tell the story of chocolate.
It was a conversation between two protagonists, and that conversation needed to feel natural.
There is also a human dimension that no project can replace
As much as I enjoy thinking about concepts, composition, materials and narrative, experiences are created by people. That is why the team involved in building and delivering the experience is also part of my creative process.
Who knows the space? Who knows the brand? Who will welcome the guests? Who will be involved in the setup? What resources are available? What can be done in that environment, and what limitations do we need to respect?
These answers also influence the project.
Creativity does not mean working as though there were no constraints. Very often, it is precisely those constraints that lead us to the most interesting solutions.
And there is something I consider even more important: the experience needs to be comfortable and authentic for the people who are bringing it to life. There is no point in creating a beautiful scene if it does not work for the people participating in the event.
I loved discovering that the brand has a design named after me.
Three months of work for a few hours of experience
Perhaps this is one of the hardest things to explain when we talk about experience design.
The guest may spend only a few hours in that environment, but there is a much greater amount of work behind those moments. In this project, there were approximately three months of conversations, research, curation, concept development, choices, adjustments and construction.
Not because it was necessary to create something excessively complex, but because I believe sophistication lies precisely in the coherence among all the choices.
An experience does not need many elements to be memorable. It needs to make sense.
When the space, brand, products, materials, narrative and people are able to speak to one another, the result stops looking like a setup and begins to feel as though the experience was always meant to happen exactly that way.
In the end, what remains is the memory
That is what I seek to create whenever I develop a gastronomic experience. I do not want the guest to remember only which chocolates they tasted.
I want them to remember what it felt like to be in that place, a discovery they made, a conversation they had, a texture they noticed, a story they heard or that feeling of having participated in something that does not happen every day.
That is where, for me, gastronomy meets experience.
It is also where my journey with chocolate connects with other areas that I am deeply interested in: design, culture, tourism, hospitality, Brazilian identity and experience creation.
The Cacao and Chocolate Expedition of Brazil was born from my desire to showcase the diversity and richness of Brazilian chocolate, but along the way I realized that it could inhabit many other spaces.
It can be part of a tasting table, a hotel, a tourism experience, a company event, a corporate gathering, a conversation about design or a private experience for a small group of guests.
What changes is the story we need to tell and the way we choose to tell it. That is why every new project begins again from scratch.
I need to understand that brand, that space, that audience and that particular moment in order to discover what kind of experience can emerge from that encounter.
And perhaps that is the most interesting part of my work: transforming knowledge and curation into something people can experience, feel and remember.
The Aristeu Pires experience was another one of those discoveries.
And fortunately, there are still many possible encounters between Brazilian chocolate and other worlds.
Now, I am ready for the next mission.
About Juliana Recuero Ustra
Juliana Recuero Ustra is a specialist in Brazilian chocolate, cacao and gastronomic experiences, with a career dedicated to the research, curation and appreciation of origin-based foods. She is the creator of the Cacao and Chocolate Expedition of Brazil and the Chocolate no Brasil project, developing content, research, sensory experiences, events and customized projects for brands, companies and audiences interested in gastronomy, culture, design and Brazilian identity.
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