O que as premiações internacionais estão revelando sobre o chocolate brasileiro (What International Awards Are Revealing About Brazilian Chocolate)

 

International Chocolate Awards na Etapa America Latina e Caribe 2026: o que os resultados revelam sobre o chocolate brasileiro no mundo


32 medalhas. 10 marcas brasileiras. 2 ouros. E uma biodiversidade inteira dentro das barras.


por Juliana Recuero Ustra


Há alguns anos comecei a olhar para os prêmios internacionais de chocolate de uma maneira diferente. No início, como qualquer pessoa apaixonada por chocolate, eu queria saber quais marcas brasileiras haviam sido premiadas, quais chocolates tinham recebido medalhas e quais eram as novidades que estavam aparecendo no mercado. Com o tempo, porém, percebi que as listas de resultados poderiam me contar uma história muito maior sobre o chocolate brasileiro.

Passei a observar não apenas quem ganhou, mas em quais categorias essas medalhas apareciam, quais eram as origens dos cacaus utilizados, quais ingredientes brasileiros estavam presentes, quais marcas voltavam a ser reconhecidas em diferentes edições e como a participação brasileira vinha se modificando ao longo dos anos. Aos poucos, fui construindo uma forma própria de acompanhar esses resultados, cruzando informações e tentando entender o que eles realmente significam para o nosso mercado.

Desde 2011 venho me dedicando ao estudo do cacau e do chocolate brasileiro e, nos últimos anos, aprofundei especialmente minha pesquisa sobre as premiações nacionais e internacionais. Acompanhar esses concursos passou a fazer parte do meu trabalho de pesquisa, da mesma forma que conhecer produtores, visitar fábricas, conversar com chocolate makers, experimentar chocolates e observar o desenvolvimento das diferentes regiões produtoras.

Por isso, quando falo sobre uma premiação, dificilmente estou olhando apenas para a medalha. Para mim, uma medalha é um ponto de partida para fazer outras perguntas.

Quero saber o que aquele resultado revela sobre a marca, sobre o cacau utilizado, sobre a origem, sobre o processo, sobre as escolhas do chocolate maker e, principalmente, sobre o espaço que o chocolate brasileiro está conquistando fora do país.

Tenho acompanhado de perto esse movimento e uma das coisas que mais me chama a atenção é perceber que o Brasil está, cada vez mais, aparecendo no mapa internacional do chocolate.




Um primeiro raio-X dos resultados de 2026 do International Chocolate Awards / AL e Caribe

Para esta análise, organizei os resultados publicados pelo International Chocolate Awards em uma base própria, considerando as medalhas de Ouro, Prata e Bronze atribuídas aos produtos. Minha tabulação chegou a 155 produtos premiados, distribuídos entre 12 países da América Latina e do Caribe.

O México aparece na liderança, com 46 medalhas, seguido pelo Equador, com 39 medalhas. O Brasil aparece em terceiro lugar, com 32 medalhas, equivalentes a 20,64% de todos os produtos premiados na etapa.

Esse número me parece particularmente interessante, porque não estamos falando de uma presença simbólica. Estamos falando de mais de um quinto de todos os produtos medalhados nessa etapa latino-americana da competição.

Depois do Brasil aparecem Colômbia, com 9 medalhas; Venezuela, com 8; Nicarágua, com 6; República Dominicana, com 5; Costa Rica, Trinidad e Tobago e Honduras, com 2 cada; e Belize e Jamaica, com 1 medalha cada.

Quando olho para essa distribuição, uma coisa fica muito evidente para mim: o Brasil não está apenas participando dessa conversa internacional. Ele já ocupa um espaço relevante e consistente dentro dela.

E ainda existe muito a investigar sobre como esse espaço está sendo construído, por esta razão, sigo aqui alimentando minha planilha e minhas análises.


O Brasil conquistou 32 medalhas





Minha análise dos 32 produtos brasileiros premiados mostra uma distribuição bastante clara: foram 2 Ouros, 13 Pratas e 17 Bronzes nesta etapa da competição. 

Essa distribuição também merece uma leitura mais cuidadosa.

O Brasil aparece com muita força em quantidade de produtos reconhecidos, mas ainda existe uma distância entre presença e protagonismo absoluto nas posições mais altas. Nenhum produto brasileiro recebeu, nesta etapa, o título de “Best in Competition” em suas quatro categorias gerais — plain/origin dark, plain/origin milk, flavoured bars e filled chocolates. Os quatro destaques gerais ficaram com Colômbia, Nicarágua e México.

Isso não diminui a importância dos resultados brasileiros. Pelo contrário. Para mim, essa informação ajuda a fazer uma pergunta muito mais interessante: o que precisamos compreender sobre os produtos brasileiros que chegam ao topo da competição?

E essa é uma pergunta que pretendo aprofundar cada vez mais e claro, quero estar bem perto, colaborando com as marcas para se qualifiquem e sejam cada vez mais brilhantes no mercado.


O Brasil não ganhou apenas medalhas. Ganhou em diferentes espaços do universo do chocolate.

Outra coisa que considero importante é observar onde essas 32 medalhas brasileiras aconteceram.

Elas não estão concentradas em uma única categoria. O Brasil aparece em chocolates de origem, chocolates ao leite, chocolates brancos, barras aromatizadas, barras com inclusões, produtos com frutas, drageados e outras categorias.

Isso é importante porque mostra uma produção brasileira que não está se expressando por meio de uma única forma de expressão pelo chocolates. E vou mais fundo na análise, quando observo o comportamento qualitativo dos chocolates brasileiros premiados. Vemos: 

- chocolates que procuram destacar o cacau e a origem. 

- chocolates que trabalham ingredientes brasileiros. 

- propostas gastronômicas. 

- combinações mais tradicionais e outras bastante experimentais.

E é justamente nessa diversidade que fortalece minha visão sobre a performance do Brasil, pois vemos aqui algo bem interessante: O Brasil não precisa construir sua presença internacional a partir de um único estilo. Podemos competir pela qualidade do nosso cacau, mas também pela criatividade e capacidade de transformar receitas de alimentos populares brasileiros ou sobremesas afetivas em barras de chocolates. Logo, é claro que podemos competir pela capacidade técnica dos nossos chocolate makers, mas também pela nossa gastronomia. Podemos competir pelo desenvolvimento de chocolates de origem, mas também pela capacidade de transformar ingredientes brasileiros em experiências sensoriais.

E os resultados de 2026 mostram isso de maneira bastante concreta.


As marcas brasileiras premiadas

Os 32 produtos brasileiros reconhecidos foram produzidos por 10 marcas.

Duas marcas lideraram em número de produtos premiados, com 6 medalhas cada: Cacau do Céu Chocolates e Nugali. Em seguida aparecem Cacau Dourado Chocolates e Mestiço Chocolates, com 4 produtos premiados cada.

Miroh! Chocolate Makers aparece com 3 medalhas, enquanto DoSemente Cacau, Mendoá Chocolates, Velmont e Mission Chocolate conquistaram 2 medalhas cada. Jucolatte aparece com 1 produto premiado.

Essa distribuição também é interessante porque mostra que o resultado brasileiro não dependeu de uma única empresa, nem de somente uma região ou característica produtiva. 

Existe um grupo de marcas ocupando diferentes espaços e apresentando diferentes propostas e  transitando por diferentes categorias.

Para mim, isso começa a mostrar algo que considero muito importante: estamos deixando de falar de uma exceção brasileira e começando a falar de um ecossistema, e de um comportamento consistente dos chocolates brasileiros no mercado.


O produto brasileiro com maior pontuação nesta etapa foi o Chocolate Branco Caramelo com Coco, da Cacau Dourado Chocolates, com 89,4 pontos, que recebeu Ouro. Na sequência aparecem o chocolate de 70% cacau com cupuaçu da Cacau Dourado, com 89,3 pontos, também Ouro, e o Chocolate 33% Milho da Jucolatte, com 89,2 pontos, Prata.


Essa diferença é interessante porque permite começar a discutir algo que vai muito além do nome da medalha: o que diferencia sensorialmente os produtos que chegam às pontuações mais altas?

É justamente esse tipo de pergunta que me interessa investigar e daqui, sigo perseguindo essas informações. 


E existe uma camada que considero ainda mais fascinante: os ingredientes brasileiros

Quando comecei a organizar os resultados, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a quantidade de ingredientes e referências brasileiras presentes entre os produtos premiados.

Temos cupuaçu, açaí, castanha-do-Brasil, baru, banana, castanha-de-caju, cumaru, milho, maracujá e outros elementos associados à nossa gastronomia e biodiversidade.

A Cacau Dourado, por exemplo, recebeu Ouro com um chocolate de 70% cacau com cupuaçu e também Ouro com chocolate branco de caramelo e coco. A Mestiço recebeu reconhecimento com mel e baru. A Miroh aparece com banana e castanha-de-caju e também com cupuaçu e cumaru. A Nugali aparece com açaí, castanha-do-Brasil e produtos derivados do próprio cacau. A Cacau do Céu aparece com queijo Canastra e doce de leite, maracujá e queijo azul. A Jucolatte recebeu Prata com chocolate branco e milho.

Quando colocamos todos esses resultados lado a lado, fica difícil não perceber uma oportunidade, pois a biodiversidade brasileira pode ser uma expressão muito relevante para o chocolate.

Não estou dizendo que todo chocolate brasileiro precisa ter um ingrediente exótico. Muito pelo contrário. Acredito que a identidade de um chocolate pode estar no cacau, no território, no processo ou na própria proposta sensorial.

Mas quando ingredientes brasileiros aparecem em produtos reconhecidos internacionalmente, eles demonstram que existe espaço para levar a nossa gastronomia para dentro dessa conversa, e isso me parece muito valioso.


O cacau brasileiro também aparece de maneiras diferentes

Outro aspecto que considero fundamental é observar os chocolates de origem.

Entre os brasileiros premiados encontramos, por exemplo, Catongo e produtos associados a diferentes características e origens de cacau. A Cacau do Céu recebeu Prata com um chocolate de 80% Catongo; a Mestiço recebeu Bronze com um Catongo varietal de 67%.

Isso reforça algo que venho dizendo há bastante tempo: quando falamos de chocolate brasileiro, não deveríamos falar apenas em "chocolate do Brasil", não podemos generalizar mais...

Precisamos começar a falar cada vez mais em cacaus brasileiros, territórios brasileiros e diferentes expressões sensoriais do cacau brasileiro.

Essa mudança de linguagem é importante porque ajuda a tirar o chocolate da ideia de produto genérico e colocá-lo dentro de uma lógica de origem, território e identidade.


O Brasil já tem sua identidade reconhecida no mundo do chocolate

Existe outra questão que considero importante quando analisamos nossa presença nas competições internacionais. Aprender com outros mercados é fundamental. Estudar técnicas, processos, formulações e padrões internacionais faz parte do amadurecimento de qualquer setor.

Mas isso não significa que precisamos transformar o chocolate brasileiro em uma cópia do chocolate produzido em outros lugares.

Tenho a impressão de que nossa maior oportunidade está justamente em desenvolver aquilo que é nosso.

Isso pode estar no cacau, nos territórios, nos ingredientes, na biodiversidade, nas relações com os produtores, na gastronomia e na maneira como cada marca constrói sua narrativa. Pode estar também na capacidade de transformar toda essa riqueza em uma experiência sensorial que faça sentido para quem está provando aquele chocolate, esteja essa pessoa no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

"Internacionalizar o chocolate brasileiro não deveria significar retirar dele aquilo que o torna brasileiro."

Ao contrário. Quanto mais conheço o nosso cacau e os chocolates que estão sendo produzidos no país, mais acredito que existe espaço para construirmos uma identidade própria e reconhecível.


A recorrência das marcas também conta uma história

Outra análise que considero muito interessante é observar a recorrência de determinadas marcas entre os premiados.

Uma medalha isolada pode representar um excelente produto, uma combinação particularmente bem-sucedida ou um momento muito feliz de uma marca. Mas quando encontramos uma empresa aparecendo repetidamente entre os premiados, em diferentes anos ou diferentes categorias, começamos a enxergar algo mais profundo.

Começamos a falar de consistência. E consistência no chocolate não é uma questão simples. Ela envolve qualidade e disponibilidade do cacau, relacionamento com fornecedores, processos, equipe, formulação, produção, controle e capacidade de manter determinado padrão ao longo do tempo.

Por isso, quando faço minhas análises, gosto muito mais de observar trajetórias do que acontecimentos isolados. Surgem várias perguntas que eu me faço e saio a busca de respostas: 

Quais marcas aparecem novamente? 

Quais conseguem manter qualidade? 

Quais ampliam sua presença internacional? 

Quais categorias começam a representar melhor o Brasil? 

Quais origens aparecem com maior frequência? 

Que ingredientes se repetem? 

Quais produtos parecem ter encontrado uma combinação especialmente interessante entre cacau, formulação e identidade?

Essas perguntas ajudam a compreender o mercado de uma maneira muito mais rica.


Existe uma quantidade enorme de informação escondida nas listas de premiados

Talvez esta seja a parte que mais me entusiasma no trabalho que venho fazendo.

Eu não observo apenas os vencedores. Observo o conjunto dos resultados. Comparo edições, acompanho marcas, identifico recorrências, analiso categorias, observo ingredientes e procuro entender as relações entre origem, produto e reconhecimento.

Ao longo dos últimos anos, fui construindo uma base própria de acompanhamento das principais premiações nacionais e internacionais. Esse trabalho começou muito mais por curiosidade do que por qualquer planejamento formal. Eu queria entender melhor o que estava acontecendo com o chocolate brasileiro.

Mas, conforme a quantidade de informações foi aumentando, percebi que aquela base começava a revelar movimentos que não eram tão evidentes quando olhávamos apenas para uma edição isolada.

É aí que uma pesquisa como essa começa a ganhar valor.

Porque uma lista de vencedores responde à pergunta "quem ganhou?". Uma análise mais profunda começa a responder outras perguntas: o que está sendo premiado, de onde vem, quais marcas estão construindo trajetória, quais ingredientes estão ganhando espaço e o que tudo isso pode nos ensinar sobre o mercado?

Essa é uma leitura que tenho desenvolvido ao longo dos anos e que ainda está muito longe de estar concluída.

Quanto mais dados acumulo, mais perguntas aparecem. E talvez seja justamente isso que torna essa pesquisa tão interessante para mim. 


O Brasil tem muito mais a mostrar

Temos desafios, sem dúvida. Seria ingenuidade olhar para as medalhas e imaginar que todos os problemas da cadeia produtiva estão resolvidos. Ainda precisamos avançar muito em qualidade, pós-colheita, produtividade, remuneração, profissionalização, escala, acesso a mercados e comunicação.

Mas também temos algo extraordinário.

Temos produtores que estão buscando qualidade, pesquisadores, chocolate makers, empreendedores, marcas novas e antigas, diferentes regiões produtoras, uma biodiversidade enorme e uma gastronomia capaz de oferecer ao chocolate brasileiro uma linguagem própria.

Temos cacau, território, diversidade e histórias que ainda não foram suficientemente contadas.

É por isso que, quando vejo uma barra brasileira sendo reconhecida em uma premiação internacional, não consigo olhar apenas para a medalha.

Penso em tudo o que existe por trás dela e em tudo aquilo que ainda pode acontecer a partir daquele reconhecimento.

Uma medalha pode ajudar uma marca a conquistar visibilidade, abrir portas comerciais, despertar o interesse de consumidores e colocar determinado território no radar de pessoas que talvez nunca tivessem ouvido falar dele.

Mas também pode nos ajudar a perceber que existe uma produção brasileira capaz de dialogar com o mundo.


As premiações podem ser instrumentos de leitura do mercado

Talvez seja essa a conclusão mais importante que venho construindo a partir dessa pesquisa.

As premiações não precisam ser vistas apenas como vitrines para os produtos vencedores. Elas também podem ser utilizadas como instrumentos para observar tendências, acompanhar a evolução técnica das marcas, perceber movimentos de consumo, identificar ingredientes com potencial e entender como diferentes origens e estilos de chocolate estão sendo reconhecidos internacionalmente.

É esse olhar que venho desenvolvendo.

Não quero apenas saber quem ganhou. Quero entender por que ganhou, com qual cacau, de qual origem, em qual categoria, com quais ingredientes, qual é a trajetória daquela marca e o que aquele resultado representa dentro de um contexto maior.

E quanto mais acompanho as premiações, mais percebo que os resultados internacionais podem nos ajudar a construir uma narrativa muito mais consistente sobre o chocolate brasileiro.

Essa análise também pode ser útil para quem está dentro do mercado. Produtores, chocolate makers, marcas, profissionais de marketing, compradores, jornalistas, pesquisadores e profissionais de gastronomia podem encontrar nesses resultados informações importantes para compreender melhor o setor e tomar decisões.


Uma pesquisa que continua

Estou chegando a uma fase nova desse trabalho.

Depois de anos acompanhando premiações, acumulando dados e observando marcas, quero organizar e compartilhar esse conhecimento de uma maneira mais estruturada. Em breve, pretendo lançar um Workshop dedicado à análise dos resultados das principais premiações de chocolate no Brasil, na América Latina e no mundo.

A proposta não é simplesmente apresentar listas de vencedores.

Quero mostrar como olhar para esses resultados, como comparar edições, como identificar padrões, como observar categorias, marcas, origens e ingredientes e, principalmente, como transformar uma quantidade enorme de informações em conhecimento que possa ser útil para quem trabalha com chocolate.

Porque existe uma diferença enorme entre saber que uma marca ganhou uma medalha e compreender o que aquela medalha pode estar dizendo sobre o mercado.

É essa segunda camada que me interessa. E é justamente aí que acredito que minha experiência acumulada ao longo desses anos pode contribuir. 

Tenho acompanhado o chocolate brasileiro não apenas pelas telas ou pelas listas de premiação. Tenho experimentado produtos, conhecido produtores, visitado territórios, conversado com marcas, participado de júris, desenhado experiências, realizado pesquisas e observado de perto a evolução desse mercado.

As premiações são mais uma dessas lentes. E quando coloco todas essas lentes juntas, começo a enxergar uma imagem muito maior.


Talvez seja isso que mais me entusiasme

Depois de tantos anos estudando chocolate, ainda continuo encontrando perguntas novas.

O cacau me levou para fazendas, fábricas, laboratórios, cozinhas, concursos, eventos, mesas de degustação e conversas com pessoas muito diferentes entre si. A Expedição Cacau e Chocolate do Brasil me levou a conhecer territórios que eu provavelmente não teria conhecido de outra maneira e, sobretudo, me ensinou a olhar para o Brasil com muito mais curiosidade.

Hoje, quando vejo uma barra brasileira em uma premiação internacional, vejo muito mais do que um produto.

Vejo o território onde aquele cacau nasceu, as pessoas que participaram da sua produção, as escolhas que foram feitas ao longo do caminho e a possibilidade de aquela barra contar alguma coisa sobre o Brasil para alguém que está do outro lado do mundo.

E talvez seja justamente isso que mais gosto em acompanhar as premiações: elas me ajudam a perceber que o chocolate brasileiro não é uma história pronta. É uma história que está sendo construída agora, por muitas mãos, em diferentes lugares do país.

"Quanto mais eu estudo os resultados das premiações, menos me interessa apenas saber quem ganhou. O que quero compreender é o que esses resultados estão nos contando sobre o chocolate brasileiro."

É esse olhar que venho construindo há anos e que quero continuar compartilhando, porque ainda há muita coisa para descobrir.

E eu sigo por aqui, acompanhando essa história de perto, barra por barra, origem por origem, marca por marca e premiação por premiação.



Juliana Recuero Ustra
Expedição Cacau e Chocolate do Brasil

Pesquisa, curadoria, experiências e estratégia no universo do cacau e do chocolate brasileiro



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International Chocolate Awards – Latin America and Caribbean 2026: What the Results Reveal About Brazilian Chocolate in the World

32 medals. 10 Brazilian brands. 2 Golds. And an entire biodiversity inside the bars.

By Juliana Recuero Ustra

For some years now, I have been looking at international chocolate awards in a different way. At first, like anyone passionate about chocolate, I wanted to know which Brazilian brands had won, which chocolates had received medals, and what new products were appearing on the market. Over time, however, I realized that the results lists could tell me a much bigger story about Brazilian chocolate.

I began looking not only at who won, but also at the categories in which those medals appeared, the origins of the cacao used, which Brazilian ingredients were present, which brands were being recognized again in different editions, and how Brazil's participation was changing over the years. Little by little, I developed my own way of following these results, cross-referencing information and trying to understand what they actually mean for our market.

Since 2011, I have been dedicated to studying Brazilian cacao and chocolate and, in recent years, I have particularly deepened my research into national and international chocolate awards. Following these competitions has become part of my research work, just as much as meeting producers, visiting factories, talking to chocolate makers, tasting chocolates, and observing the development of different producing regions.

That is why, when I talk about an award, I rarely look only at the medal. To me, a medal is a starting point for asking other questions.

I want to know what that result reveals about the brand, the cacao used, the origin, the process, the chocolate maker's choices and, above all, the space Brazilian chocolate is gaining outside the country.

I have been following this movement closely, and one of the things that strikes me most is seeing Brazil increasingly appear on the international chocolate map.

A first X-ray of the 2026 International Chocolate Awards – Latin America and Caribbean results

For this analysis, I organized the results published by the International Chocolate Awards into my own database, considering the Gold, Silver and Bronze medals awarded to the products. My tabulation reached 155 award-winning products, distributed across 12 countries in Latin America and the Caribbean.

Mexico leads with 46 medals, followed by Ecuador, with 39 medals. Brazil ranks third, with 32 medals, equivalent to 20.64% of all products awarded in this stage.

I find this number particularly interesting because we are not talking about a symbolic presence. We are talking about more than one-fifth of all medal-winning products in this Latin American stage of the competition.

After Brazil came Colombia, with 9 medals; Venezuela, with 8; Nicaragua, with 6; the Dominican Republic, with 5; Costa Rica, Trinidad and Tobago, and Honduras, with 2 each; and Belize and Jamaica, with 1 medal each.

When I look at this distribution, one thing becomes very clear to me: Brazil is not simply participating in this international conversation. It already occupies a relevant and consistent space within it.

And there is still much to investigate about how this space is being built. That is why I continue feeding my spreadsheet and developing my analyses.

Brazil won 32 medals

My analysis of the 32 Brazilian award-winning products shows a very clear distribution: 2 Golds, 13 Silvers and 17 Bronzes in this stage of the competition.

This distribution also deserves a closer look.

Brazil has a strong presence in terms of the number of recognized products, but there is still a gap between presence and absolute prominence in the highest positions. No Brazilian product received the title of “Best in Competition” in any of the four general categories — plain/origin dark, plain/origin milk, flavoured bars and filled chocolates. The four overall highlights went to Colombia, Nicaragua and Mexico.

This does not diminish the importance of the Brazilian results. Quite the opposite. To me, this information helps raise a much more interesting question: what do we need to understand about the Brazilian products that reach the top of the competition?

This is a question I intend to explore more and more deeply. And, of course, I want to remain close to the brands, collaborating with them so they can qualify, evolve and shine even more in the market.

Brazil did not win only medals. It won in different spaces within the chocolate universe.

Another thing I consider important is looking at where these 32 Brazilian medals appeared.

They are not concentrated in a single category. Brazil appears in origin chocolates, milk chocolates, white chocolates, flavoured bars, bars with inclusions, products with fruits, dragees and other categories.

This matters because it shows Brazilian production expressing itself through many different forms of chocolate. And when I go deeper into the qualitative behavior of the Brazilian award-winning chocolates, I see chocolates that seek to highlight cacao and origin, chocolates that work with Brazilian ingredients, gastronomic proposals, and combinations ranging from traditional to highly experimental.

It is precisely this diversity that strengthens my view of Brazil's performance. We do not need to build our international presence around a single style. We can compete through the quality of our cacao, but also through creativity and our ability to transform popular Brazilian foods and beloved desserts into chocolate bars. We can certainly compete through the technical ability of our chocolate makers, but also through our gastronomy. We can compete through the development of origin chocolates, but also through our ability to transform Brazilian ingredients into sensory experiences.

And the 2026 results show this quite concretely.

The Brazilian brands that were awarded

The 32 recognized Brazilian products were produced by 10 brands.

Two brands led in the number of award-winning products, with 6 medals each: Cacau do Céu Chocolates and Nugali. They were followed by Cacau Dourado Chocolates and Mestiço Chocolates, with 4 award-winning products each.

Miroh! Chocolate Makers received 3 medals, while DoSemente Cacau, Mendoá Chocolates, Velmont and Mission Chocolate each received 2 medals. Jucolatte had 1 award-winning product.

This distribution is also interesting because it shows that the Brazilian result did not depend on a single company, nor on just one region or production characteristic.

There is a group of brands occupying different spaces, presenting different propositions and moving across different categories.

To me, this begins to show something very important: we are moving away from talking about a Brazilian exception and beginning to talk about an ecosystem, and about consistent behavior from Brazilian chocolates in the market.

The highest-scoring Brazilian product in this stage was Cacau Dourado Chocolates' White Chocolate Caramel with Coconut, with 89.4 points, which received Gold. Next came Cacau Dourado's 70% cacao with cupuaçu, with 89.3 points, also Gold, followed by Jucolatte's 33% Corn Chocolate, with 89.2 points, which received Silver.

This difference is interesting because it allows us to begin discussing something that goes far beyond the name of the medal: what differentiates the sensory characteristics of the products that achieve the highest scores?

This is precisely the kind of question I am interested in investigating, and I will continue pursuing these answers.

And there is an even more fascinating layer: Brazilian ingredients

When I began organizing the results, one of the things that caught my attention most was the number of Brazilian ingredients and references present among the award-winning products.

We find cupuaçu, açaí, Brazil nuts, baru, banana, cashew nuts, cumaru, corn, passion fruit and other elements associated with our gastronomy and biodiversity.

Cacau Dourado, for example, received Gold for a 70% cacao chocolate with cupuaçu and also Gold for white chocolate with caramel and coconut. Mestiço received recognition for chocolate with honey and baru. Miroh appears with banana and cashew nuts, as well as cupuaçu and cumaru. Nugali appears with açaí, Brazil nuts and products derived from cacao itself. Cacau do Céu appears with Canastra cheese and dulce de leche, passion fruit and blue cheese. Jucolatte received Silver for white chocolate with corn.

When we place all these results side by side, it is difficult not to see an opportunity: Brazilian biodiversity can be a highly relevant expression within chocolate.

I am not saying that every Brazilian chocolate needs to contain an exotic ingredient. Quite the opposite. I believe a chocolate's identity can be found in its cacao, its territory, its process or its sensory proposition itself.

But when Brazilian ingredients appear in internationally recognized products, they demonstrate that there is room to bring our gastronomy into this conversation. And I find that extremely valuable.

Brazilian cacao also appears in different ways

Another aspect I consider fundamental is observing origin chocolates.

Among the Brazilian award-winning products, we find, for example, Catongo and products associated with different cacao characteristics and origins. Cacau do Céu received Silver for an 80% Catongo chocolate; Mestiço received Bronze for a 67% Catongo varietal chocolate.

This reinforces something I have been saying for quite some time: when we talk about Brazilian chocolate, we should not simply talk about “chocolate from Brazil.” We can no longer generalize.

We need to increasingly talk about Brazilian cacaos, Brazilian territories and different sensory expressions of Brazilian cacao.

This change in language is important because it helps move chocolate away from the idea of a generic product and place it within a logic of origin, territory and identity.

Brazil already has its identity recognized in the world of chocolate

There is another issue I consider important when analyzing our presence in international competitions. Learning from other markets is fundamental. Studying techniques, processes, formulations and international standards is part of the maturation of any industry.

But this does not mean we need to turn Brazilian chocolate into a copy of chocolate produced elsewhere.

I have the impression that our greatest opportunity lies precisely in developing what is ours.

It can be found in cacao, territories, ingredients, biodiversity, relationships with producers, gastronomy and the way each brand builds its narrative. It can also be found in our ability to transform all this richness into a sensory experience that makes sense to the person tasting the chocolate, whether they are in Brazil or anywhere else in the world.

“Internationalizing Brazilian chocolate should not mean taking away what makes it Brazilian.”

On the contrary. The more I learn about our cacao and the chocolates being produced in the country, the more I believe there is room for us to build an identity of our own — one that is distinctive and recognizable.

The recurrence of brands also tells a story

Another analysis I find particularly interesting is observing the recurrence of certain brands among the award winners.

A single medal may represent an excellent product, a particularly successful combination, or a very good moment for a brand. But when we find a company appearing repeatedly among the award winners, across different years or categories, we begin to see something deeper.

We begin talking about consistency. And consistency in chocolate is not a simple matter. It involves cacao quality and availability, relationships with suppliers, processes, teams, formulation, production, quality control and the ability to maintain a certain standard over time.

That is why, when I conduct my analyses, I much prefer to observe trajectories than isolated events. Several questions emerge and I go looking for the answers.

Which brands appear again?

Which ones manage to maintain quality?

Which ones are expanding their international presence?

Which categories are beginning to represent Brazil better?

Which origins appear most frequently?

Which ingredients recur?

Which products seem to have found a particularly interesting combination of cacao, formulation and identity?

These questions help us understand the market in a much richer way.

There is an enormous amount of information hidden in award-winning lists

Perhaps this is the part of the work I have been doing that excites me most.

I do not look only at the winners. I look at the results as a whole. I compare editions, follow brands, identify recurring patterns, analyze categories, observe ingredients and try to understand the relationships between origin, product and recognition.

Over the past few years, I have built my own database for tracking the major national and international chocolate awards. This work began much more out of curiosity than as part of any formal plan. I simply wanted to understand better what was happening with Brazilian chocolate.

But as the amount of information grew, I realized that the database was beginning to reveal movements that were not so obvious when looking at a single edition in isolation.

That is when research like this begins to gain value.

Because a list of winners answers the question, “Who won?” A deeper analysis begins to answer other questions: What is being awarded? Where does it come from? Which brands are building a trajectory? Which ingredients are gaining space? And what can all of this teach us about the market?

This is a way of reading the market that I have been developing for years, and it is still far from complete.

The more data I accumulate, the more questions emerge. And perhaps that is precisely what makes this research so interesting to me.

Brazil has much more to show

We certainly have challenges. It would be naïve to look at these medals and imagine that all the problems in the production chain have been solved. We still need to make significant progress in quality, post-harvest practices, productivity, remuneration, professionalization, scale, market access and communication.

But we also have something extraordinary.

We have producers pursuing quality, researchers, chocolate makers, entrepreneurs, new and established brands, different producing regions, enormous biodiversity and a gastronomy capable of giving Brazilian chocolate a language of its own.

We have cacao, territory, diversity and stories that have not yet been told enough.

That is why, when I see a Brazilian bar recognized in an international competition, I cannot look only at the medal.

I think about everything behind it — and everything that can still happen because of that recognition.

A medal can help a brand gain visibility, open commercial doors, spark consumer interest and put a particular territory on the radar of people who might never otherwise have heard of it.

But it can also help us recognize that Brazilian production is capable of engaging with the world.

Awards can be tools for reading the market

Perhaps this is the most important conclusion I have been developing through this research.

Awards do not have to be viewed only as showcases for winning products. They can also be used as tools for observing trends, following the technical evolution of brands, identifying consumer movements, recognizing ingredients with potential, and understanding how different origins and styles of chocolate are being recognized internationally.

This is the perspective I have been developing.

I do not simply want to know who won. I want to understand why they won, which cacao was used, where it came from, in which category the product competed, which ingredients were used, what the brand's trajectory looks like, and what that result represents within a larger context.

And the more I follow these competitions, the more I realize that international results can help us build a much more consistent narrative about Brazilian chocolate.

This analysis can also be useful to people working within the industry. Producers, chocolate makers, brands, marketing professionals, buyers, journalists, researchers and gastronomy professionals can all find valuable information in these results to better understand the sector and make decisions.

A research project that continues

I am entering a new phase of this work.

After years of following awards, accumulating data and observing brands, I want to organize and share this knowledge in a more structured way. Soon, I intend to launch a workshop dedicated to analyzing the results of the main chocolate awards in Brazil, Latin America and around the world.

The proposal is not simply to present lists of winners.

I want to show how to look at these results, how to compare editions, how to identify patterns, how to observe categories, brands, origins and ingredients and, above all, how to transform a huge amount of information into knowledge that can be useful to people who work with chocolate.

Because there is an enormous difference between knowing that a brand has won a medal and understanding what that medal may be saying about the market.

That second layer is what interests me. And that is precisely where I believe my experience accumulated over these years can contribute.

I have followed Brazilian chocolate not only through screens or award lists. I have tasted products, met producers, visited territories, spoken with brands, served on juries, designed experiences, conducted research and closely observed the evolution of this market.

Awards are another one of these lenses. And when I put all these lenses together, I begin to see a much larger picture.

Perhaps that is what excites me most

After so many years studying chocolate, I still continue to find new questions.

Cacao has taken me to farms, factories, laboratories, kitchens, competitions, events, tasting tables and conversations with people who are very different from one another. The Expedição Cacau e Chocolate do Brasil has taken me to territories I probably would never have known otherwise and, above all, has taught me to look at Brazil with much more curiosity.

Today, when I see a Brazilian bar in an international competition, I see much more than a product.

I see the territory where that cacao was born, the people who participated in its production, the choices made along the way, and the possibility that this bar might tell someone on the other side of the world something about Brazil.

And perhaps that is precisely what I enjoy most about following these awards: they help me realize that Brazilian chocolate is not a finished story. It is a story being built right now, by many hands, in different parts of the country.

“The more I study award results, the less interested I am in simply knowing who won. What I want to understand is what these results are telling us about Brazilian chocolate.”

This is the perspective I have been building for years and that I want to continue sharing, because there is still so much to discover.

And I will continue following this story closely, bar by bar, origin by origin, brand by brand and award by award.


Juliana Recuero Ustra

Expedição Cacau e Chocolate do Brasil

Research, curation, experiences and strategy in the world of Brazilian cacao and chocolate



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