Carnaval, Cacau e Chocolate (Carnival, Cocoa and Chocolate)
Além de começarem com C, temos muito mais em comum. No Brasil, parece existir uma divisão quase automática: quem ama o Carnaval — e quem foge dele. Não vou entrar aqui nas razões de cada um dos perfis, pois não é meu foco de discussão. O que me interessa, de verdade, é observar o sistema que se constrói ao redor desta que é uma das maiores experiências culturais do país. Porque o Carnaval não é um evento. Ele é um ecossistema. Tudo muda neste período, deslocam-se pessoas, aumenta o fluxo turístico, ocupação hoteleira, serviços diversos, alimentação, moda, música, cenografia, figurino, design, logística, mídia, economia criativa — e, sobretudo, trabalho especializado . Existe uma cadeia inteira operando para que, durante poucos dias, o país entregue pontualmente mais cor, brilho, textura, ritmo, identidade e memória e para àquele primeiro grupo: diversão. E quando penso nos adereços, por exemplo — sem qualquer romantização — eu lembro imediatamente da base produtiva invisível que...


