Quando o chocolate encontra o design de móveis de luxo (When Chocolate Meets Luxury Furniture Design)

 


Quando o chocolate encontra o design: uma experiência brasileira dentro da fábrica da Aristeu Pires


por Juliana R. Ustra


Quando o chocolate encontra o design, a experiência começa muito antes da degustação.

Há projetos que chegam até nós como um briefing. E há aqueles que, desde o primeiro contato, despertam uma vontade enorme de criar. Foi assim quando recebi o convite para desenvolver uma experiência sobre cacau e chocolate do Brasil dentro da fábrica da Aristeu Pires, uma das referências brasileiras em design de móveis de luxo.

Fiquei especialmente feliz com o desafio. Não seria simplesmente uma degustação de chocolates. A proposta, idealizada pela arquiteta Dominique Vighi, responsável pelas vendas corporativas da marca, para uma press trip com curadoria de Ale Gusmão, reunia jornalistas de design e arquitetura e o próprio Aristeu Pires.

O desafio estava justamente aí: criar algo que fosse memorável, disruptivo, inovador e, ao mesmo tempo, coerente com a excelência e a identidade da marca.

E houve uma pergunta que me acompanhou durante os primeiros momentos desta concepção da experiência: Como fazer o universo do cacau e do chocolate brasileiro conversar com o design de móveis de luxo?




A resposta estava na matéria

Quanto mais eu estudava a alma da marca e pensava sobre o projeto, mais percebia que esses dois universos, aparentemente tão diferentes, tinham muito em comum.

Matéria-prima.
Origem.
Território.
Cuidado.
Forma.
Cor.
Textura.
Detalhe.
Tempo.
Sensações.

Um móvel nasce de uma matéria-prima que carrega características próprias, de um território, de escolhas, de conhecimento e de mãos que transformam essa matéria. Com o chocolate acontece algo semelhante.

Antes de chegar à barra, existe uma árvore, uma floresta, um território, uma variedade de cacau, um produtor, uma colheita, uma fermentação, uma secagem, uma torra e tantas outras decisões que vão determinar aquilo que encontraremos depois na barra. 

Foi a partir dessas conexões que comecei a desenhar a experiência.




Pela primeira vez, levei a Expedição para dentro de uma fábrica de móveis

Uma das coisas que mais me interessaram neste projeto foi não querer criar uma experiência de chocolate dentro de uma fábrica como se aquele espaço fosse apenas um cenário. Eu queria que a própria fábrica participasse da narrativa.

Por isso, utilizamos elementos da identidade da Aristeu Pires e peças de madeira da própria marca como suportes para os frutos de cacau e para os chocolates. 

A mesa deixou de ser apenas o lugar onde as pessoas se sentariam para degustar, ela passou a fazer parte da experiência.

Madeira, cacau, chocolate, formas, volumes, curvas e texturas começaram a conversar. E isso mudou completamente a maneira de pensar a montagem e cada elemento precisava ter uma razão para estar ali.





A curadoria de 15 chocolates brasileiros

Para essa experiência, fiz a curadoria de 15 chocolates brasileiros muito especiais, todos eles de marcas apoiadoras da minha Expedição. 

Mas não escolhi essas barras apenas pelo sabor. Olhei para as características sensoriais, para as texturas, para as inclusões, para as cores e para a possibilidade de cada chocolate estabelecer algum tipo de diálogo com o universo visual e sensorial da Aristeu Pires.

Alguns chocolates apresentavam inclusões. Outros traziam diferentes texturas. Havia diferentes tonalidades, formatos e características.

E isso também fazia parte da narrativa, porque, quando falamos de design, pensamos imediatamente no olhar.  E claro, o design também passa pelo toque, bem como o chocolate é extremamente tátil. Antes mesmo de colocá-lo na boca, percebemos sua aparência, tocamos sua superfície, quebramos a barra, ouvimos o som da sua quebra.

Depois vêm temperatura, textura, derretimento, cremosidade, crocância, persistência e outras sensações.

É uma experiência que envolve muito mais do que o paladar, e foi justamente essa dimensão sensorial que eu queria aproximar do design.




Uma conversa entre madeira e cacau

Durante a experiência, fomos construindo essas pontes.

Falamos sobre cacau brasileiro, chocolate, produtores, territórios, biodiversidade e cultura produtiva.

Falamos sobre a diversidade do Brasil e sobre as diferentes possibilidades sensoriais que podem existir em um chocolate produzido a partir de cacaus brasileiros. Mas falamos também sobre design, sobre matéria, origens, escolhas, sobre brasilidade...

e principalmente sobre o cuidado necessário para transformar uma matéria-prima em algo que tenha valor, identidade e significado, pois um produto pode carregar uma história muito maior do que aquilo que vemos na sua superfície. Seja um chocolate ou um móvel.

Foi uma conversa fluida, curiosa e muito rica. Daquelas em que uma pergunta leva a outra e em que, aos poucos, chocolate e design deixam de ser dois assuntos separados e passam a fazer parte da mesma narrativa.


O Brasil como ponto de conexão

Esse projeto também me fez pensar novamente sobre o que venho construindo há tantos anos com a Expedição Cacau e Chocolate do Brasil.

Meu trabalho nunca foi simplesmente apresentar chocolates.

O chocolate é, para mim, uma espécie de lente, ou seja, uma maneira de olhar para o Brasil.

Através dele encontro produtores, territórios, florestas, culturas, histórias, empreendedores, pesquisadores, sabores, técnicas e diferentes formas de compreender o nosso país. E é justamente por isso que gosto tanto de levar o cacau e o chocolate para contextos diferentes.

Já fiz eventos em vinícolas, hotéis, restaurantes, spas, fazendas de cacau, torrefações de café, cervejarias, galerias de arte e diferentes espaços de gastronomia e cultura.

Agora, o chocolate entrou em uma fábrica de móveis de luxo. E foi incrível!

Porque o que conecta todos esses universos não é necessariamente o produto, é a experiência e a  possibilidade de transformar conhecimento em percepção.


Quando uma experiência deixa de ser uma degustação

Este projeto reforçou algo em que acredito profundamente:uma experiência de excelência não é uma degustação bonita.

Ela precisa ter conceito, narrativa, intenção, criar conexões. Cada detalhe precisa contribuir para aquilo que queremos que o participante perceba, compreenda e leve consigo.

Naquela mesa, eu não queria simplesmente apresentar os 15 chocolates. Queria apresentar 15 possibilidades de olhar para o cacau e para o chocolate brasileiro.

Queria que jornalistas acostumados a observar design percebessem também o quanto existe de design na natureza, na produção, na transformação de uma matéria-prima e na construção de uma experiência sensorial.

Queria mostrar que falar sobre chocolate também pode ser falar sobre território, cultura, biodiversidade, pessoas, identidade e Brasilidade. E minha meta, principalmente, era que aquela experiência fosse coerente com a marca que nos recebia.




O potencial do cacau e do chocolate brasileiro

Talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes oportunidades que vejo hoje. O cacau e o chocolate brasileiros podem dialogar com muitos universos, bem como Gastronomia, Design, Luxo, Turismo, Bem-estar, Cultura, Arte, Hospitalidade, Negócios e Experiências corporativas.

E essa capacidade de conexão ainda pode ser muito mais explorada. 

Quando conhecemos melhor a cadeia produtiva, os territórios, os produtores e a diversidade de chocolates que o Brasil produz, percebemos que estamos diante de uma matéria-prima capaz de contar histórias extraordinárias sobre o nosso país.

É isso que procuro fazer através da Expedição.

Não levar simplesmente chocolate para uma experiência, mas levar o Brasil que existe dentro dele.


E é isso que me move

Ao olhar para as fotografias daquele dia, vejo muito mais do que uma mesa bonita, vejo meses de pesquisa, escolhas, conversas, curadoria, frutos de cacau, madeira, território. Vejo uma marca de design abrindo espaço para uma conversa sobre cacau brasileiro, e mais uma vez, a razão pela qual continuo tão apaixonada pelo que faço.

Então posso afirmar: "Chocolate me permite criar conexões que eu talvez nunca imaginasse quando comecei a estudar este universo em 2011. E talvez seja justamente isso que mais gosto na Expedição Cacau e Chocolate do Brasil: descobrir que, quando olhamos com atenção, o chocolate pode nos levar para lugares muito maiores do que a própria mesa de degustação." 

Agradeço à Aristeu Pires, à Dominique Vighi, à Ale Gusmão, ao próprio Aristeu e a todos os participantes pela confiança e pela liberdade para criar.

Foi uma alegria levar o cacau e o chocolate brasileiro para dentro de um espaço onde o design também nasce da matéria, das mãos, do território e do cuidado.

Agradeço às marcas apoiadoras da Expedição que estavam presentes comigo, bem como à equipe da fábrica, que possibilitaram tudo isso ocorrer neste cenário. 




Expedição Cacau e Chocolate do Brasil
Experiências sensoriais | Eventos corporativos | Palestras | Cacau e chocolate brasileiro


publicado por Juliana R. Ustra

em 12/08/2026


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Leia a Carta Aberta da Expedição:

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When Chocolate Meets Design: A Brazilian Experience Inside the Aristeu Pires Factory

By Juliana R. Ustra

When chocolate meets design, the experience begins long before the tasting.

Some projects come to us as a briefing. Others, from the very first conversation, awaken an enormous desire to create. That was exactly what happened when I was invited to develop an experience centered on Brazilian cacao and chocolate inside the Aristeu Pires factory, one of Brazil’s references in luxury furniture design.

I was especially happy with the challenge. This was not simply going to be a chocolate tasting. The project, conceived by architect Dominique Vighi, who is responsible for the brand’s corporate sales, for a press trip curated by Ale Gusmão, brought together design and architecture journalists and Aristeu Pires himself.

And that was precisely where the challenge lay: creating something that would be memorable, disruptive, innovative and, at the same time, coherent with the brand’s excellence and identity.

One question accompanied me throughout the first stages of designing the experience:

How could I make the world of Brazilian cacao and chocolate speak to the world of luxury furniture design?

The answer was in the material

The more I studied the soul of the brand and thought about the project, the more I realized that these two apparently different worlds had much in common.

Raw material.

Origin.

Territory.

Care.

Form.

Color.

Texture.

Detail.

Time.

Sensations.

A piece of furniture is born from a raw material with its own characteristics, from a territory, from choices, knowledge and hands that transform that material. Chocolate is much the same.

Before it becomes a chocolate bar, there is a tree, a forest, a territory, a cacao variety, a producer, a harvest, fermentation, drying, roasting and so many other decisions that will ultimately determine what we experience in the bar.

It was from these connections that I began to design the experience.

For the first time, I brought the Expedition inside a furniture factory

One of the things that interested me most about this project was that I did not want to create a chocolate experience inside a factory as if the space were merely a backdrop.

I wanted the factory itself to become part of the narrative.

That is why we used elements of the Aristeu Pires identity and pieces of the brand’s own wood as supports for cacao pods and chocolates.

The table was no longer simply the place where people would sit to taste. It became part of the experience.

Wood, cacao, chocolate, shapes, volumes, curves and textures began to speak to one another.

And that completely changed the way I thought about the setting.

Every element needed to have a reason for being there.

Curating 15 Brazilian chocolates

For this experience, I curated 15 very special Brazilian chocolates, all from brands that support my Expedition.

But I did not choose these bars based on flavor alone.

I looked at their sensory characteristics, textures, inclusions, colors and at the possibility of each chocolate creating some kind of dialogue with the visual and sensory universe of Aristeu Pires.

Some chocolates had inclusions. Others brought different textures, tones, shapes and characteristics.

And that was also part of the narrative.

Because when we talk about design, we immediately think about what we see.

But design also involves touch.

And chocolate is profoundly tactile.

Before we even put it in our mouths, we perceive its appearance, touch its surface, break the bar and hear the sound of that break.

Then come temperature, texture, melting, creaminess, crunchiness, persistence and so many other sensations.

It is an experience that involves much more than taste. And that was precisely the sensory dimension I wanted to bring closer to design.

A conversation between wood and cacao

Throughout the experience, we built these bridges.

We talked about Brazilian cacao, chocolate, producers, territories, biodiversity and the culture of production.

We talked about Brazil’s diversity and the different sensory possibilities that can emerge from chocolates made with Brazilian cacao.

But we also talked about design, materials, origins, choices and, above all, about the care required to transform a raw material into something that has value, identity and meaning.

Because a product can carry a story much larger than what we see on its surface.

Whether it is a chocolate or a piece of furniture.

It was a fluid, curious and very rich conversation. The kind in which one question leads to another and, little by little, chocolate and design stop being two separate subjects and become part of the same narrative.

Brazil as a point of connection

This project also made me think once again about what I have been building for so many years through the Expedição Cacau e Chocolate do Brasil.

My work has never simply been about presenting chocolates.

For me, chocolate is a kind of lens — a way of looking at Brazil.

Through it, I encounter producers, territories, forests, cultures, stories, entrepreneurs, researchers, flavors, techniques and different ways of understanding our country.

And that is precisely why I enjoy bringing cacao and chocolate into different contexts.

I have already created events in wineries, hotels, restaurants, spas, cacao farms, coffee roasteries, breweries, art galleries and different spaces dedicated to gastronomy and culture.

Now chocolate entered a luxury furniture factory.

And it was incredible.

Because what connects all these worlds is not necessarily the product.

It is the experience and the possibility of transforming knowledge into perception.

When an experience becomes more than a tasting

This project reinforced something I deeply believe:

an excellent experience is not simply a beautiful tasting.

It needs concept, narrative and intention. It needs to create connections.

Every detail needs to contribute to what we want participants to perceive, understand and take away with them.

At that table, I did not simply want to present 15 chocolates.

I wanted to present 15 different ways of looking at Brazilian cacao and chocolate.

I wanted journalists accustomed to observing design to also perceive how much design exists in nature, in production, in the transformation of a raw material and in the construction of a sensory experience.

I wanted to show that talking about chocolate can also mean talking about territory, culture, biodiversity, people, identity and Brazilianess.

And, above all, I wanted the experience to feel coherent with the brand that welcomed us.

The potential of Brazilian cacao and chocolate

Perhaps this is one of the great opportunities I see today.

Brazilian cacao and chocolate can connect with many different worlds: gastronomy, design, luxury, tourism, well-being, culture, art, hospitality, business and corporate experiences.

And I believe this potential can be explored much further.

When we get to know the production chain, the territories, the producers and the diversity of chocolates made in Brazil, we begin to realize that we are dealing with a raw material capable of telling extraordinary stories about our country.

That is what I seek to do through the Expedition.

Not simply bring chocolate to an experience, but bring the Brazil that exists within it.

And this is what drives me

When I look at the photographs from that day, I see much more than a beautiful table.

I see months of research, choices, conversations, curation, cacao pods, wood and territory.

I see a design brand opening space for a conversation about Brazilian cacao.

And once again, I see why I remain so passionate about what I do.

So I can say:

Chocolate has allowed me to create connections that I could never have imagined when I began studying this universe in 2011.

And perhaps that is what I love most about the Expedição Cacau e Chocolate do Brasil:

discovering that, when we look closely, chocolate can take us to places much larger than the tasting table itself.

I am grateful to Aristeu Pires, Dominique Vighi, Ale Gusmão, to Aristeu himself, and to everyone who participated for their trust and for giving me the freedom to create.

It was a joy to bring Brazilian cacao and chocolate into a space where design is also born from material, hands, territory and care.

I am also grateful to the brands supporting the Expedition that were present with me, as well as to the factory team who made it possible for all of this to happen in such a special setting.


Expedição Cacau e Chocolate do Brasil

Sensory Experiences | Corporate Events | Talks | Brazilian Cacao & Chocolate

Published by Juliana R. Ustra
August 12, 2026

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