O que aconteceu no Premio Bean to Bar Brasil 2026 (What Happened at the Bean to Bar Brasil Award 2026)

Nos bastidores do Prêmio Bean to Bar Brasil 2026: impressões de quem esteve mais uma vez na mesa de avaliação


Maio foi novamente um mês muito especial para quem acompanha a evolução do chocolate brasileiro. Mas estive envolvida em tantas atividades que acabei me atrasando para escrever aqui sobre o Prêmio Bean to Bar Brasil.

Tive a honra de participar, mais uma vez, como jurada oficial do Prêmio Bean to Bar Brasil, iniciativa que acompanho há várias edições e que considero uma das importantes ferramentas de valorização, reconhecimento e amadurecimento do chocolate de origem produzido no país.

Ao longo dos últimos anos, acompanhando o crescimento do movimento bean to bar brasileiro através da Expedição Cacau e Chocolate do Brasil, tive a oportunidade de observar de perto a transformação de muitas marcas, o surgimento de novos produtores, a evolução técnica dos chocolates e também a formação de consumidores cada vez mais atentos e exigentes.

Por isso, participar do prêmio não é apenas degustar chocolates.

É observar tendências, perceber movimentos do mercado e acompanhar a construção da identidade do chocolate brasileiro.

Esta foi a sétima edição do Prêmio Bean to Bar Brasil, e fico sempre na torcida para que muitas outras ainda venham pela frente!


Uma edição marcada pela diversidade

A edição de 2026 reuniu 85 chocolates inscritos, sendo 45 chocolates intensos e 40 chocolates ao leite, representando 42 marcas de 13 estados brasileiros.
(Fonte: site oficial do Prêmio Bean to Bar Brasil.)

O júri oficial contou com 82 avaliadores, sendo 70 representantes das marcas participantes e 12 jurados convidados, dos quais cinco eram internacionais.

Pela primeira vez desde que acompanho o prêmio, todo o processo de avaliação ocorreu de forma remota. Confesso que fico na torcida para que, no próximo ano, eu possa estar novamente junto dos demais jurados e que tenhamos um encontro presencial.

De qualquer forma, há um ponto relevante em um processo realizado integralmente de forma remota: considero que isso trouxe uma característica bastante interessante para a análise.

Cada jurado teve vários dias para realizar as degustações, sem a pressão de uma sessão presencial concentrada em poucas horas. Isso permitiu avaliações mais cuidadosas, revisitas às amostras e uma observação mais detalhada dos aspectos sensoriais de cada chocolate.

Outro ponto que considero extremamente relevante foi, novamente, a participação do Júri de Consumidores.

Foram centenas de pessoas degustando chocolates em diferentes regiões do país, exercitando seu olhar sensorial e contribuindo para uma cultura de consumo mais consciente e qualificada.

Acredito que essa ação também impulsiona ainda mais a aproximação entre consumidores e marcas.

Como alguém que trabalha diariamente com educação para o consumo de derivados de cacau e chocolate e que também atua, de alguma forma, na educação sensorial, acredito que este talvez seja um dos maiores legados do prêmio.

Não se trata apenas de escolher vencedores. Trata-se também de ensinar as pessoas a olhar, sentir, comparar e compreender melhor aquilo que estão consumindo.



O que percebi nesta edição

Uma das impressões que sempre me chama a atenção é o nível de organização do Prêmio.

Desde o envio das amostras, passando pela identificação com números aleatórios, pelas comunicações oficiais aos jurados e, claro, pelo sistema utilizado para registrar cada uma das avaliações, existe uma preocupação muito grande com a organização e com o caráter às cegas da competição.

Recentemente, li no site oficial do Prêmio que os resultados mostram que nem sempre participar é suficiente para conquistar uma medalha. Embora o regulamento permita premiar até 20% dos inscritos em cada categoria, apenas os chocolates que atingiram a nota mínima exigida receberam reconhecimento.

Isso faz com que cada medalha conquistada tenha ainda mais significado.

Outro aspecto interessante foi perceber a recorrência de algumas marcas entre os premiados.

Como o concurso acontece às cegas, utilizando amostras padronizadas e sem identificação, os resultados refletem a percepção sensorial dos jurados diante daquele chocolate.

Quando uma marca aparece premiada em diferentes anos, isso revela algo muito valioso: consistência e evolução.

E, quando falo em consistência, penso em muitas coisas: processos, qualidade do cacau, ingredientes, formulação, produção e, claro, a capacidade de uma marca manter um determinado padrão de qualidade ao longo do tempo.

Por isso, vale a pena conferir não apenas a lista de premiados desta edição, mas também as listas das edições anteriores. Para mim, inclusive, elas podem ser uma ótima referência para quem está construindo sua própria lista de chocolates para experimentar.



Sobre as origens do cacau nos premiados

Outro movimento que chamou minha atenção foi a forte presença do Pará entre os chocolates intensos premiados.

Dos seis chocolates intensos premiados, cinco eram produzidos com cacau do Pará.

Considerando todas as categorias, seis dos 11 chocolates premiados utilizaram cacau paraense, com destaque especial para a região de Medicilândia, território que vem demonstrando, ano após ano, enorme capacidade de produzir amêndoas de alta qualidade.

Para quem acompanha o setor, isso não chega a ser uma surpresa.

O Pará vem consolidando seu protagonismo dentro da cacauicultura brasileira, e os resultados desta edição reforçam, mais uma vez, esse cenário.

Já entre os chocolates ao leite, encontramos três origens representadas: Pará, Bahia e Espírito Santo.

E gosto muito de observar esses movimentos porque eles ajudam a contar uma história maior sobre o chocolate brasileiro.

Quando analisamos os premiados não estamos olhando apenas para marcas e produtos.

Estamos também olhando para territórios, produtores, variedades de cacau, escolhas de matéria-prima e diferentes possibilidades de expressão sensorial do cacau brasileiro.



Os vencedores de 2026

Chocolates Intensos

Ouro
Invento Chocolates – 70% cacau – Tuerê (PA)

Prata
Magian Cacao – 70% cacau – Medicilândia (PA) – Robson Brugni

Prata
Magian Cacao – 70% cacau Catongo – Uruará (PA) – Gilmar Batista

Bronze e Escolha do Público
Monjolo Chocolates – 70% cacau – Medicilândia (PA)

Bronze
Invento Chocolates – 70% cacau – Sítio Ascurra – Medicilândia (PA)

Bronze
Mission Chocolate – 70% cacau – Castelo Novo – Ilhéus (BA)

Chocolates ao Leite

Ouro e Escolha do Público
Mission Chocolate – 43% cacau – Castelo Novo – Ilhéus (BA)

Prata
Invento Chocolates – 45% cacau – Sítio Ascurra – Medicilândia (PA)

Bronze
Alma Chocolates – 55% cacau – Bahia

Bronze
Ocan Chocolate Bean to Bar – 52% cacau – Espírito Santo

Bronze
Alma Chocolates – 44% cacau – Espírito Santo



Muito além das medalhas

Ao final de cada edição, saio com uma sensação muito parecida.

Os vencedores merecem ser celebrados, mas o prêmio vai muito além da distribuição de medalhas.

Prêmios como este ajudam a formar opinião entre consumidores, estimulam a melhoria contínua das marcas, ampliam o repertório sensorial dos participantes, fortalecem a cultura do chocolate de origem e, sim, criam referências para todo o mercado brasileiro.

Como pesquisadora do chocolate brasileiro, considero extremamente valioso acompanhar esse processo de perto.

E, como jurada, sinto-me privilegiada por testemunhar, ano após ano, a evolução de um setor que ainda tem muito espaço para crescer, inovar e conquistar reconhecimento dentro e fora do Brasil.

Também considero especialmente importante observar a aproximação entre qualidade, origem e percepção sensorial.

Porque um prêmio não avalia apenas uma história bonita contada por uma marca.

Quando a avaliação é feita às cegas, o chocolate precisa se sustentar por aquilo que entrega sensorialmente.

E isso, para mim, é muito interessante.

É uma oportunidade de observar o que está acontecendo dentro das barras brasileiras e perceber como produtores e chocolate makers estão trabalhando para transformar a qualidade do cacau em experiências cada vez mais interessantes para quem consome.

Parabéns a todos os participantes, aos organizadores, aos jurados e, especialmente, às marcas que continuam elevando o nível do chocolate brasileiro.

Sigo por aqui acompanhando essa história — barra por barra, origem por origem e sabor por sabor.

Obrigada por este convite tão precioso, Zélia Frangioni!


Publicado por Juliana R. Ustra
13/08/2026


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Behind the Scenes of the Prêmio Bean to Bar Brasil 2026: Impressions from Someone Who Was Once Again Part of the Judging Panel

May was once again a very special month for anyone following the evolution of Brazilian chocolate. But I was involved in so many different activities that I ended up taking a little longer than I would have liked to write here about the Prêmio Bean to Bar Brasil.

I was honored to participate once again as an official judge for the Prêmio Bean to Bar Brasil, an initiative I have followed for several editions and consider one of the important tools for valuing, recognizing, and contributing to the maturation of origin chocolate produced in Brazil.

Over the past few years, following the growth of Brazil’s bean-to-bar movement through the Expedição Cacau e Chocolate do Brasil, I have had the opportunity to closely observe the transformation of many brands, the emergence of new producers, the technical evolution of chocolates, and also the development of increasingly attentive and demanding consumers.

For this reason, participating in the competition is about much more than tasting chocolate.

It is about observing trends, recognizing market movements, and following the construction of the identity of Brazilian chocolate.

This was the seventh edition of the Prêmio Bean to Bar Brasil, and I am always hoping there will be many more to come!

An Edition Marked by Diversity

The 2026 edition brought together 85 registered chocolates, including 45 intense chocolates and 40 milk chocolates, representing 42 brands from 13 Brazilian states.

(Source: official Prêmio Bean to Bar Brasil website.)

The official jury included 82 judges: 70 representatives of participating brands and 12 invited judges, five of whom were international.

For the first time since I began following the award, the entire judging process was conducted remotely. I have to admit that I am hoping that next year I will once again be together with the other judges and that we will have an in-person gathering.

Nevertheless, there is an important aspect to a completely remote judging process: I believe it brought a particularly interesting characteristic to the evaluation.

Each judge had several days to conduct the tastings, without the pressure of an in-person session concentrated into just a few hours. This allowed for more careful evaluations, revisiting samples, and a more detailed observation of the sensory characteristics of each chocolate.

Another point I consider extremely relevant was, once again, the participation of the Consumer Jury.

Hundreds of people tasted chocolates in different regions of Brazil, developing their sensory awareness and contributing to a more conscious and informed chocolate culture.

I believe this initiative also helps bring consumers and brands even closer together.

As someone who works every day with consumer education around cocoa-derived products and chocolate, and who is also involved in sensory education in my own way, I believe this may be one of the award's greatest legacies.

It is not simply about choosing winners.

It is also about teaching people to look, taste, compare, and better understand what they are consuming.


What I Noticed in This Edition

One of the things that always catches my attention is the level of organization of the competition.

From the shipment of samples, through their identification with random numbers and the official communications to the judges, to the system used to record each evaluation, there is a strong commitment to organization and to maintaining the blind-tasting nature of the competition.

I recently read on the official award website that the results show that participating does not necessarily mean winning a medal. Although the rules allow up to 20% of the entries in each category to receive awards, only chocolates that reached the required minimum score received recognition.

This makes each medal even more meaningful.

Another interesting aspect was noticing the recurrence of some brands among the winners.

Because the competition is conducted blind, using standardized and unidentified samples, the results reflect the judges' sensory perception of the chocolate itself.

When a brand is awarded in different years, it reveals something extremely valuable: consistency and evolution.

And when I talk about consistency, I am thinking about many things: processes, cocoa quality, ingredients, formulation, production and, of course, a brand's ability to maintain a certain level of quality over time.

For this reason, it is worth looking not only at this year's winners, but also at the lists from previous editions.

For me, these lists can be an excellent reference for anyone building their own list of chocolates to explore.


The Cocoa Origins Behind the Winners

Another movement that caught my attention was the strong presence of Pará among the award-winning intense chocolates.

Of the six award-winning intense chocolates, five were made with cocoa from Pará.

Considering all categories, six of the 11 award-winning chocolates used cocoa from Pará, with particular emphasis on the region of Medicilândia, a territory that has demonstrated, year after year, an impressive ability to produce high-quality cocoa beans.

For anyone following the sector, this is not exactly a surprise.

Pará has been consolidating its leading role within Brazilian cocoa production, and the results of this edition reinforce this scenario once again.

Among the milk chocolates, we find three origins represented: Pará, Bahia, and Espírito Santo.

I particularly enjoy observing these movements because they help tell a much larger story about Brazilian chocolate.

When we analyze the award-winning chocolates, we are not looking only at brands and products.

We are also looking at territories, producers, cocoa varieties, raw-material choices, and the different possibilities for the sensory expression of Brazilian cocoa.


The 2026 Winners

Intense Chocolates

Gold
Invento Chocolates – 70% cocoa – Tuerê (PA)

Silver
Magian Cacao – 70% cocoa – Medicilândia (PA) – Robson Brugni

Silver
Magian Cacao – 70% cocoa Catongo – Uruará (PA) – Gilmar Batista

Bronze and People's Choice
Monjolo Chocolates – 70% cocoa – Medicilândia (PA)

Bronze
Invento Chocolates – 70% cocoa – Sítio Ascurra – Medicilândia (PA)

Bronze
Mission Chocolate – 70% cocoa – Castelo Novo – Ilhéus (BA)

Milk Chocolates

Gold and People's Choice
Mission Chocolate – 43% cocoa – Castelo Novo – Ilhéus (BA)

Silver
Invento Chocolates – 45% cocoa – Sítio Ascurra – Medicilândia (PA)

Bronze
Alma Chocolates – 55% cocoa – Bahia

Bronze
Ocan Chocolate Bean to Bar – 52% cocoa – Espírito Santo

Bronze
Alma Chocolates – 44% cocoa – Espírito Santo


Much More Than Medals

At the end of each edition, I leave with a very similar feeling.

The winners deserve to be celebrated, but the award goes far beyond the distribution of medals.

Competitions like this help shape consumer opinion, encourage continuous improvement among brands, expand the sensory repertoire of participants, strengthen the culture of origin chocolate and, yes, create references for the Brazilian market as a whole.

As a researcher of Brazilian chocolate, I consider it extremely valuable to follow this process closely.

And as a judge, I feel privileged to witness, year after year, the evolution of a sector that still has so much room to grow, innovate, and gain recognition both within and beyond Brazil.

I also consider it particularly important to observe the connection between quality, origin, and sensory perception.

Because an award does not simply evaluate a beautiful story told by a brand.

When the evaluation is conducted blind, the chocolate has to stand on its own through what it delivers sensorially.

And that, to me, is extremely interesting.

It is an opportunity to observe what is happening inside Brazilian chocolate bars and to see how producers and chocolate makers are working to transform cocoa quality into increasingly interesting experiences for consumers.

Congratulations to all the participants, organizers, judges and, especially, to the brands that continue to raise the bar for Brazilian chocolate.

I will continue following this story — bar by bar, origin by origin, and flavor by flavor.

Thank you for this precious invitation, Zélia Frangioni!


Published by Juliana R. Ustra
August 13, 2026

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